Em meio há tanta gente querendo te ver mal fica ainda mais difícil admitir: Eu não estou bem..
É, mas a verdade, infelizmente, é essa.. eu não tenho conseguido trabalhar, viver, sorrir.. ser eu mesma. A única coisa que tenho feito bem (como eu sempre fiz) é chorar.. chorar muito nos pés do Senhor. E orar, ler a Bíblia.. Não tenho sentido vontade de conversar com ninguém.. me afastei muito do Clube da Lulu.. a verdade é que me acho fraca demais para estar com elas.. sempre tão fortes, superando-se a cada dia.. não parecem, nem de longe, estarem sentindo por dentro o mesmo que eu estou.. Como me sinto diante disso? Fraca.. Tenho mesmo vergonha de importuná-las com a minha constante tristeza, insuperável fraqueza e, principalmente, tenho medo do momento em que uma delas (leia-se Janaína) se canse da minha choradeira e diga algo do tipo: Ah, mas você também não se ajuda! - E como eu sei o quanto isso não seria verdade.. E como Deus sabe quantas lágrimas eu derramo pedindo forças, capacidade.. Eu, na verdade, não consigo me sentir como ela.. forte, falando aos quatro cantos em esperar e sorrindo para o vento. Eu, infelizmente, me sinto ainda mais medíocre quando olho pra ela e percebo: Eu não sou assim.. eu não consigo ser..
Só Deus saberia descrever aqui como estou triste e ferida por dentro.. Por eu ter tentado entrar no grupo e acompanhar o ritmo delas e ter fracassado.. Por, no meu primeiro tropeço, eu ter caído e nenhuma delas ter percebido que eu não caminhava mais ao lado delas.. nem atrás.. Por incrível que pareça, eu não esperei que percebessem.. eu sei o quanto cada uma delas está envolvida em sua própria luta, sua própria dor.. E o que aconteceu foi que eu assisti elas continuarem e eu ficar para trás.. bem para trás.. pareceu-me mesmo que cada uma tomava na estrada a posição referente à sua capacidade.. Janaína bem na frente, liderando, como sempre.. Paloma logo em seguida, ignorando o sofrer, como é de costume que faça (com ela parece funcionar), Valéria atrás delas, hora sorrindo, hora chorando escondida.. E a Lucyane.. que prefere permanecer às margens do grupo.. como Paloma, ela prefere se guardar. Depois daí tem um espaço imenso.. e tem eu.. em um ponto de onde nem sei se elas conseguiriam ouvir se eu chamar.. talvez a Lucy, por está bem atrás.. talvez nem ela..
Sei que nenhuma delas tem obrigação de entender minhas limitações, por isso nunca esperei que entendessem.. e nunca tive coragem de dizer pra elas que, logo, eu provavelmente estaria longe delas de novo.. que eu, provavelmente, cairia na estrada.. e não teria coragem de chamá-las.. eu, na verdade, ia preferir que elas não vissem.. não percebessem.. quem sabe até não soubessem..
Eu sempre tive medo e vontade de dizer: Não esperem muito de mim.. eu estou me esforçando além do que posso para não decepcioná-las, mas posso ter uma parada cardíaca a qualquer momento.. como tantas vezes eu tive.. Quem sabe uma delas encontrará esse Diário e dirá: Mas, que pessimismo! - Mas, eu explico: Isso é realismo, amiga querida.. - Aprendi que reconhecer seus limites é o primeiro passo para superá-los.. E descobri que nos momentos mais dolorosos eu não sei caminhar sem alguém do meu lado, e quando por falta de forças eu fico pra trás, não tenho coragem de pedir ao meu companheiro que atrase um pouco para me esperar e me ajudar..
Sozinha eu não estou.. tenho uma amiga bem novinha.. e, por esse motivo, precisa mais que eu a ajude do que que eu peça a ela pra me ajudar.. E ela é tudo que restou no momento.. e, apesar da posição que ela assumia quando chegou, eu louvo a Deus por ela está aqui até agora.
Sabem aquele versículo? "É melhor serem dois que apenas um, pois, se um cair, o outro o ajuda a levantar." Pois eu peço à Deus um companheiro que entenda tudo isso, sem que eu precise dizer "Me espere.." toda vez que cair.. =/
Não quero ser um peso pra ninguém, não quero atrasar ninguém.. Eu agradeço a Deus por ter me apresentado o Clube da Lulu e, só pra Ele eu admito entre lágrimas: Eu não consigo acompanhá-las e não tenho coragem de atrasá-las, Deus.. - Eu não tenho coragem de atrasar ninguém..
Quebrada,
Michelly Capoli



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