quinta-feira, outubro 06, 2011


Paredes sem Portas

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Hoje acordei desanimada.. não quis sair, não quis trabalhar.. Pressentia uma leve cólica e uma profunda tristeza.. Fiquei na cama o dia inteiro. Á noite tinha aula na faculdade, e não posso mais faltar.. Tomei banho e me vesti mecanicamente.. um peso no coração, saudades do meu noivo.. uma dor..
Saí já tarde, mas não demorei a chegar na sala.. Levei meu note pra postar meu desabafo diário, mas acabei não tendo ânimo de fazê-lo e tinha um trabalho pra digitar.. digitei-o, então.. Em ambas as aulas eu estava dispersa.. não me prendia nem à aula, nem à dor.. eu pairava em cima de tudo que estava se passando dentro e fora de mim.
Na volta pra casa, resolvo ir pela Parangaba e, sentada no ônibus, não deu: chorei.. Aquele ônibus parecia tão imenso.. aquela gente tão alheia a toda tristeza que eu trazia em meu coração.. me senti profundamente .. Conversava com Deus, pedia perdão por ser fraca, por sentir medo, por me sentir sozinha, por não conseguir ver nada além de paredes.. Paredes sem portas..
Eu chorava e falava em voz, não apenas em pensamentos.. eu sussurrava como Ana, e certamente despertava nas pessoas ao meu redor o mesmo pensamento que ela despertou: Ela é louca.. ou está embriagada.. Mas, assim como Ana, eu não sofro de loucura ou embriaguez.. eu sou apenas uma mulher angustiada, implorando ao seu Senhor uma chance de ser feliz.. Implorando por acreditar que Ele é capaz, não por que eu seja merecedora.. Implorando por que eu quero concertar tudo que fiz ao amor da minha vida que o magoou.. Implorando por que eu não deixei de amá-lo.. porque Deus não deixou.. Não deixou que eu o esquecesse..
Passei na Faculdade da minha irmã e a procurei com os olhos.. seria bom conversar com ela e me distrair. Nada. Ligo e peço que ela me espere no terminal.. Lá, descubro que ela já está com seus próprios problemas de amor.. então, deixo de lado os meus para ouvi-la, como irmã mais velha eu zelo e cuido delas.. Eu as protejo como uma leoa.
Chegamos em casa, falamos com mamãe e minha outra irmã sobre o problema dela e só depois chego pra minha mãe desconfiada, triste: - Mamãe, você tá orando? - E as lágrimas querem rolar novamente.. Minha mãe responde que sim e que o viu pela manhã.. ela foi no ônibus que eu, todas as manhãs, pego com ele.. Conversamos sobre como minha causa é difícil.. sobre como meu noivo é orgulhoso e, como eu já disse, imparcial.. Mamãe me consola com a frase de sempre: - Mas Deus pode tudo.. Espere, creia que Ele fará o impossível! - E é incrível como tenho consciência disso mas não consigo me sentir melhor em ouvir.. Eu tenho medo é do tempo que poderá levar.. porque meu coração é um deserto.. e tem pressa de vê-lo regressar..

Aflita,
Michelly Capoli





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